Açúcar no Sangue Diabetes, números e fontes

A diabetes em Portugal, com os números à vista

Números desta página

14,2 % da população portuguesa dos 20 aos 79 anos tem diabetes (OND/SPD, 2024)
1,2 M pessoas, o valor mais alto alguma vez registado no país
42 % dos casos ainda não estão diagnosticados — 6,0 dos 14,2 pontos
88 476 novos casos registados nos cuidados de saúde primários em 2024
1 500 M€ a 1 800 M€ de custo direto por ano: 0,5 a 0,6% do PIB português

Resposta curta: a diabetes diagnostica-se por análise ao sangue, não por sintomas — glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl, HbA1c ≥ 6,5%, ou glicemia ocasional ≥ 200 mg/dl com sintomas, segundo a Norma nº 002/2011 da Direção-Geral da Saúde. Em Portugal, 14,2% dos adultos entre os 20 e os 79 anos têm diabetes e cerca de 42% deles ainda não o sabem. Depois do diagnóstico, o que muda o rumo da doença é, por esta ordem: o tratamento prescrito pelo médico, o autocontrolo da glicemia, a alimentação — e só no fim, com efeito bem menor, os suplementos.

Este site existe para pôr num sítio só os valores oficiais, os preços praticados em Portugal e o que os ensaios clínicos mediram, com a fonte ao lado de cada número.


Sinais de alerta: isto não espera por consulta

Antes de qualquer informação sobre valores, exames ou alimentação, as situações em que a prioridade deixa de ser ler e passa a ser pedir ajuda.

🔴 Pessoa inconsciente ou que não reage, com suspeita de descida do açúcar: não dar nada a comer nem a beber, pelo risco de engasgamento. Ligar 112 de imediato — a chamada é encaminhada para o INEM.

🔴 Glicemia muito alta com confusão, respiração muito rápida e profunda, vómitos que não param, hálito com cheiro adocicado invulgar: é o quadro de cetoacidose diabética, uma descompensação aguda que exige avaliação hospitalar. Não é caso para esperar pela consulta de família.

🔴 Quem toma metformina e sente vómitos, dores abdominais com cãibras musculares, cansaço extremo, dificuldade em respirar, arrefecimento do corpo e batimento cardíaco lento: parar o medicamento e ir à urgência. É o quadro de acidose láctica, muito raro (até 1 em cada 10 000 pessoas) mas grave.

🔴 Ferida no pé com vermelhidão a estender-se 2 cm ou mais à volta, ou que atinge tendão, músculo ou osso, ou acompanhada de febre: urgência hospitalar. Numa pessoa com diabetes, a ferida do pé é o problema que mais depressa se agrava — o pé diabético responde por 70% de todas as amputações não traumáticas feitas em Portugal.

Para o problema agudo mas sem sinais de gravidade existe o SNS 24 (808 24 24 24), que faz triagem por telefone e diz se vale a pena deslocar-se. O detalhe de cada quadro está em descidas e subidas bruscas e em sinais no pé que não esperam.

O que é mesmo importante na diabetes, por ordem

Esta hierarquia não é opinião da redação. Resulta do que está em normas nacionais e do tamanho do efeito medido em ensaios clínicos.

É, de propósito, o contrário da ordem que aparece na publicidade — onde o suplemento vem primeiro.

1. Diagnóstico confirmado
análise laboratorial + 2.ª análise a confirmar
2. Tratamento prescrito
metformina, insulina e outros — sempre com receita
3. Autocontrolo
glucómetro em casa + HbA1c 2 a 4 vezes por ano
4. Alimentação
hidratos de carbono contados, padrão mediterrânico
5. Suplementos
efeito pequeno, nenhum substitui os quatro anteriores

Diagnóstico. Faz-se com sangue colhido em laboratório, e num adulto sem sintomas nenhum valor isolado chega: a norma da DGS obriga a repetir a análise 1 a 2 semanas depois antes de assumir o diagnóstico. Os cortes exatos, incluindo a divergência real entre a DGS e a SPEDM na zona de pré-diabetes, estão em os cortes de diagnóstico.

Tratamento. A metformina é o medicamento mais usado na diabetes tipo 2 e é sujeita a receita médica em Portugal — uma caixa de 60 comprimidos de 500 mg genérica custa cerca de 2,83 €. Doses, efeitos secundários e o medo popular de que «ataca os rins» estão em metformina: preço e comparticipação; a insulina, as suas duas famílias e a conservação do frasco em guia da insulina.

Autocontrolo. O glucómetro doméstico mede sangue capilar e a norma ISO 15197 admite-lhe uma margem de erro de ±15% face ao laboratório — serve para acompanhar, nunca para diagnosticar. As tiras-teste são comparticipadas pelo Estado até 85% do preço máximo, e as agulhas, seringas e lancetas até 100%. A comparação de aparelhos e preços está em medidor de glicemia, e o exame que resume dois a três meses de glicemias em a média dos últimos três meses.

Alimentação. O manual nacional de contagem de hidratos de carbono, editado pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas com apoio da DGS, existe precisamente porque cada centro de tratamento usava tabelas diferentes. O que contar, o que não conta e o pequeno-almoço em concreto estão em a contagem de hidratos; as perguntas soltas do tipo «a banana faz mal?» em alimentos que fazem mal.

Suplementos. Ficam no fim porque o efeito medido é modesto e porque nenhuma das botânicas vendidas para a glicemia — berberina, canela, gymnema, Momordica charantia — tem alegação de saúde aprovada pela EFSA: estão todas no regime transitório «on hold» desde 2012. O crómio é a exceção regulamentar, com duas alegações aprovadas. A comparação com meta-análises está em a comparação dos suplementos e o caminho «natural» que a maioria procura em baixar o açúcar naturalmente.

Os temas do site

Valores e exames. A tabela dos cortes de diagnóstico da norma DGS, a diferença entre glicemia capilar e plasma venoso e o custo da análise estão em a página dos valores. A média de dois a três meses tem página própria: a análise de HbA1c.

Sintomas. Os primeiros sinais, o que muda entre tipos e o que se pesquisa como «como saber se tenho» estão em sintomas da diabetes. O degrau anterior ao diagnóstico, com critérios e prazos de repetição, em quando ainda dá para travar.

Tipos de diabetes. Tipo 1, tipo 2, LADA e gestacional não são graus da mesma doença: têm mecanismos diferentes e exames diferentes, incluindo o péptido-C e os anticorpos anti-GAD. Comparação em diabetes tipo 1 e tipo 2.

Gravidez. O rastreio faz-se em duas fases e a prova de tolerância à glicose com 75 g tem três pontos de corte, entre as 24 e as 28 semanas: diabetes gestacional.

Emergências. O limiar dos 70 mg/dl, a regra dos 15/15, os sinais que obrigam a ligar 112 e os que se resolvem com o SNS 24 estão em o que fazer numa descida de açúcar.

Medicamentos. como funciona a metformina reúne doses, interações e efeitos secundários a partir do folheto informativo aprovado; a pergunta que mais se pesquisa fora do contexto da diabetes tem página separada, a metformina emagrece?. A insulina, em guia da insulina.

Complicações. Periodicidade dos rastreios de olhos e rins segundo as normas DGS, e o que a evidência mostra sobre o tratamento da neuropatia: os rastreios de olhos e rins. O pé, pela sua gravidade específica, tem página só para si: o rastreio do pé.

Alimentação. o guia alimentar e alimentos que fazem mal.

Produtos. Comparação de glucómetros com preços de farmácia portuguesa em medidor de glicemia; ingredientes e doses em berberina, canela e companhia; e a análise do produto que provavelmente o trouxe até aqui, em Diaform+: análise.

Porquê números portugueses e não internacionais

A prevalência estimada da diabetes em Portugal em 2024 foi de 14,2% da população dos 20 aos 79 anos — cerca de 8,1 milhões de pessoas nessa faixa, das quais aproximadamente 1,2 milhões com diabetes.

É o valor mais alto de sempre. Em 2009, o estudo PREVADIAB media 11,7%: uma subida de 2,5 pontos percentuais em quinze anos.

A parte que interessa a quem chega a este site por sintomas é outra. Desses 14,2 pontos, 6,0 pontos correspondem a diabetes não diagnosticada.

Cerca de duas em cada cinco pessoas com diabetes em Portugal não sabem que a têm. Não por falta de sintomas dramáticos: a doença instala-se devagar e os sinais iniciais passam por cansaço ou por idade.

A idade pesa muito. Mais de um quarto das pessoas entre os 60 e os 79 anos em Portugal tem diabetes, e a prevalência sobe de forma acentuada com os anos.

E o fluxo de casos novos aumentou: a incidência registada em 2024 foi de 781,8 por 100 000 habitantes, contra uma média de 654 na década anterior.

Indicador nacional (2024) Valor
Prevalência, 20-79 anos 14,2%
Diabetes não diagnosticada 6,0 pontos percentuais
Novos casos nos cuidados primários 88 476
Amputações de membro inferior 2 254 (1 116 major, 1 138 minor)
Despesa em medicamentos de ambulatório 551,3 M€

Nem tudo piorou.

Os anos potenciais de vida perdidos por diabetes mellitus caíram 39% na última década, e a letalidade hospitalar nas amputações major desceu de 14,0% em 2017 para 10,2% em 2024. A doença é mais frequente e, ao mesmo tempo, está a ser tratada melhor.

Todos estes valores vêm do relatório anual «Diabetes: Factos e Números», 11.ª edição, do Observatório Nacional da Diabetes, publicado em novembro de 2025 com dados de 2022 a 2024.

Onde este site é útil, e onde só a consulta resolve

Encontra aqui os valores das normas da Direção-Geral da Saúde, os resultados de meta-análises e revisões Cochrane, os pareceres da EFSA sobre alegações de saúde, o que diz o folheto informativo aprovado de cada medicamento e os preços que as farmácias portuguesas praticavam à data indicada.

Não encontra aqui um diagnóstico, uma dose para o seu caso nem a decisão de começar ou parar um medicamento. Essa parte depende da sua função renal, da idade, do que já toma e do que a análise mostrou — e resolve-se em consulta, com quem lhe pode pedir exames.

Quatro coisas que nunca vai ler neste site

Não interpretamos resultados. Um valor de glicemia isolado não chega para nada, e a própria norma da DGS manda repetir a análise antes de concluir. Escrever «se deu 130, tem diabetes» seria mais rápido e estaria errado.

Não indicamos doses. Os ensaios usam extratos padronizados que raramente correspondem ao que está no frasco à venda, e vários produtos nem declaram os miligramas do rótulo. Sem esse número, qualquer sugestão de dose seria inventada.

Nunca sugerimos parar medicação. É a consequência prática mais perigosa de conteúdo sobre «natural»: trocar um antidiabético prescrito por uma cápsula. A berberina, por exemplo, soma-se ao efeito da metformina e das sulfonilureias, com risco real de hipoglicemia.

Sem contadores nem prazos. A urgência artificial é prática proibida na União Europeia pela diretiva Omnibus, e ninguém controla melhor a glicemia por ter três minutos para decidir.

Como verificamos a informação

Cada valor clínico é procurado primeiro nas normas da DGS e, quando existe, na fonte portuguesa oficial correspondente — INEM, SNS 24, SNS, sociedades científicas nacionais. Só depois recorremos a literatura internacional indexada.

Quando as fontes divergem, mostramos a divergência em vez de escolher a mais cómoda.

É o caso do limiar de pré-diabetes: a DGS usa 110 mg/dl, a SPEDM/ADA usa 100 mg/dl. Quem tem 105 mg/dl merece saber que a resposta depende do critério.

Preços de farmácia são retalho, com data de verificação. Não são tabela oficial, e mudam.

Os critérios, a política de correções e a equipa estão em como trabalhamos e em quem somos.

Fontes utilizadas

  1. Observatório Nacional da Diabetes / SPD — «Diabetes: Factos e Números», 11.ª edição, novembro de 2025 — https://relatorioanualdiabetes.com/wp-content/uploads/2025/11/251103-SPD-RelatorioAnual-1.pdf
  2. DGS — Norma nº 002/2011, «Diagnóstico e Classificação da Diabetes Mellitus» — https://normas.dgs.min-saude.pt/2011/01/14/diagnostico-e-classificacao-da-diabetes-mellitus/
  3. SPEDM — Pré-diabetes — https://www.spedm.pt/pt/glandulas-e-doencas-endocrinas/pre-diabetes
  4. INEM — Hipoglicemia — https://www.inem.pt/2017/05/29/hipoglicemia/
  5. SNS 24 — Quando ligar SNS 24 ou INEM — https://www.sns24.gov.pt/servico/quando-ligar-sns-24-ou-inem/
  6. Folheto informativo de metformina (toLife), Towa Pharmaceutical — https://towapharmaceutical.pt/wp-content/uploads/2024/06/FI_6_Metformina_toLife.pdf
  7. DGS — Norma nº 016/2018, rastreio da retinopatia diabética — https://normas.dgs.min-saude.pt/2018/09/13/rastreio-da-retinopatia-diabetica/
  8. DGS — Norma nº 001/2011, diagnóstico sistemático do pé diabético — https://normas.dgs.min-saude.pt/2011/01/21/diagnostico-sistematico-do-pe-diabetico/
  9. SNS — Comparticipação de dispositivos médicos para automonitorização — https://www.sns.gov.pt/reforma-faq/politica-do-medicamento-%E2%80%A2-regime-de-comparticipacao-do-estado-%E2%80%A2-dispositivos-medicos-%E2%80%A2-automonitorizacao-de-pessoas-com-diabetes/
  10. EFSA — Health claims (artigo 13), botânicas «on hold» — https://www.efsa.europa.eu/en/topics/health-claims-art-13
  11. Meta-análise de berberina em diabetes tipo 2 (37 ECR, 3 048 doentes) — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9709280/
  12. Associação Portuguesa dos Nutricionistas — Manual de Contagem de Hidratos de Carbono na Diabetes Mellitus — https://www.spedp.pt/files/upload/paginas/manual-contagem-hc.pdf

Autor: Redação Açúcar no Sangue · como trabalhamos Publicado: 25 de agosto de 2026 · Última atualização: 25 de agosto de 2026

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Perguntas frequentes

A partir de que valor é que se diz que tenho diabetes?

Glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dl em plasma venoso, HbA1c igual ou superior a 6,5%, ou glicemia ocasional igual ou superior a 200 mg/dl acompanhada de sintomas clássicos. Sem sintomas, o valor tem de ser confirmado numa segunda análise, feita 1 a 2 semanas depois.

O aparelho que tenho em casa serve para saber se tenho diabetes?

Não. Os glucómetros domésticos medem sangue capilar e a norma ISO 15197 permite uma diferença de até 15% face ao método laboratorial de referência. O aparelho serve para acompanhar quem já tem diagnóstico e ajustar decisões do dia a dia, não para fazer ou excluir o diagnóstico.

Escreve-se «a diabetes» ou «o diabetes»?

Em Portugal a forma corrente é feminina: a diabetes. No Brasil prefere-se a masculina.

Escrevemos sempre em português europeu — hidratos de carbono em vez de carboidratos, glicemia em vez de glicose no sangue.

Existe alguma cápsula que substitua a metformina?

Não. A metformina é um medicamento sujeito a receita médica, com dose definida e efeito documentado em ensaios; os suplementos vendidos para a glicemia não têm sequer alegação de saúde aprovada pela EFSA para esse fim. O que a evidência mostra sobre cada ingrediente está em a revisão dos suplementos.

Quantas pessoas têm diabetes em Portugal?

Cerca de 1,2 milhões de pessoas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a 14,2% dessa faixa etária em 2024, segundo o Observatório Nacional da Diabetes. Aproximadamente 42% desses casos não estão diagnosticados.

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