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Metformina em Portugal: doses, efeitos e preço

Números desta página

500 · 850 · 1000 mg comprimidos disponíveis em Portugal
3000 mg/dia dose máxima no adulto, em 3 tomas
> 1 em 10 pessoas com queixas gastrointestinais no início
1 em 10 000 frequência máxima da acidose láctica
2,83 € 60 comprimidos de 500 mg, genérico, agosto de 2026

Resposta curta: a metformina é o antidiabético oral mais usado no tratamento da diabetes tipo 2 e, em Portugal, é medicamento sujeito a receita médica. Existe em comprimidos de 500 mg, 850 mg e 1000 mg de cloridrato de metformina. Os adultos começam habitualmente com 500 ou 850 mg, duas a três vezes por dia, até um máximo de 3000 mg diários repartidos por três tomas. As queixas gastrointestinais no início são o efeito secundário mais frequente; a acidose láctica é rara mas grave e obriga a parar e procurar urgência.

Esta página reúne o que consta do folheto informativo aprovado em Portugal e das normas nacionais.

Não prescrevemos. Não sugerimos alterações de dose. Não vendemos medicamentos. Quem decide dose e esquema é o médico.

Sinais que obrigam a parar o medicamento e ligar 112

A acidose láctica é um efeito secundário muito raro da metformina, com frequência até 1 em cada 10 000 utilizadores, mas é grave e pode evoluir para coma. Sinais a reconhecer: vómitos, dor abdominal com cãibras musculares, mal-estar geral com cansaço extremo, dificuldade em respirar, descida da temperatura corporal e do batimento cardíaco.

Perante estes sinais, parar o medicamento e contactar de imediato os serviços de urgência — 112. O risco sobe com função renal comprometida, desidratação, infeção grave, jejum prolongado, consumo de álcool e problemas hepáticos, cardíacos ou respiratórios graves.

A metformina isolada não provoca hipoglicemia, mas quem a toma associada a insulina, sulfonilureias ou meglitinidas pode ter descidas. Glicemia igual ou inferior a 70 mg/dl: 15 g de açúcar de absorção rápida, esperar 15 minutos e voltar a medir. Pessoa inconsciente: não dar nada por via oral, ligar 112.

Dúvida aguda sem risco de vida: SNS 24, 808 24 24 24.

Para que serve a metformina

A metformina é o fármaco de primeira linha no tratamento da diabetes tipo 2, uma biguanida que atua sobretudo reduzindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a sensibilidade do organismo à insulina que já produz.

O objetivo do tratamento é manter a glicemia dentro dos alvos definidos pelo médico e, com isso, reduzir o risco de complicações a longo prazo.

O acompanhamento faz-se com análises. Sobretudo a o que a HbA1c mostra, cujo objetivo geral em adultos com diabetes tipo 2 é inferior a 7%.

No Diabetes Prevention Program, o ensaio de referência mundial em pessoas com pré-diabetes, a metformina reduziu em 31% o risco de progredir para diabetes face ao placebo, ao longo de 2,8 anos.

A intervenção intensiva no estilo de vida, no mesmo estudo, reduziu esse risco em 58%.

Precisa de receita médica?

Sim. Em Portugal a metformina é medicamento sujeito a receita médica (MSRM). Não se compra sem prescrição, ao contrário de suplementos alimentares como a gimnema ou a berberina, que estão noutra categoria regulatória e noutro patamar de evidência.

Somos uma redação de saúde, não uma farmácia: esta página descreve o que o folheto informativo aprovado diz, para que quem já tem prescrição perceba melhor o que está a tomar e chegue à consulta com perguntas melhores.

Doses disponíveis e o que significam os miligramas

Os comprimidos são de cloridrato de metformina. O número na caixa refere-se ao sal, não à metformina-base — daí a diferença entre os dois valores da tabela.

Comprimido Metformina-base
500 mg de cloridrato 390 mg
850 mg de cloridrato 663 mg
1000 mg de cloridrato 780 mg

É por isso que 500 mg de uma marca e 500 mg de outra são equivalentes: o valor refere-se sempre ao cloridrato.

Como se começa e até onde se pode ir

Nos adultos, o esquema habitual arranca com 500 mg ou 850 mg, duas ou três vezes por dia, e a dose vai sendo ajustada conforme a resposta da glicemia.

O teto é 3000 mg por dia, repartidos por três tomas.

Em crianças com 10 anos ou mais e adolescentes, a dose inicial habitual é de 500 a 850 mg uma vez por dia, com máximo diário de 2000 mg em duas a três tomas.

Entre os 10 e os 12 anos há uma cautela extra: o tratamento só deve começar após aconselhamento médico específico. A experiência nesta faixa etária é limitada.

O aumento gradual da dose não é excesso de cautela: é a forma prática de reduzir as queixas gastrointestinais do início do tratamento.

Antes ou depois das refeições?

O folheto informativo indica que os efeitos gastrointestinais são atenuados tomando o comprimido durante ou após a refeição.

É das dúvidas mais pesquisadas em português. A resposta cabe em quatro palavras: com comida, não em jejum.

A pergunta faz sentido. Enjoos, diarreia e dor abdominal são frequentes nas primeiras semanas, e levam muita gente a abandonar o tratamento antes de o corpo se habituar.

Se as queixas persistirem, o assunto é para levar ao médico, que pode ajustar o esquema. Não é para resolver parando por iniciativa própria.

Efeitos secundários, por frequência

Frequência Efeitos
Muito frequentes (> 1 em 10) Náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal, perda de apetite — sobretudo no início
Muito raros (< 1 em 10 000) Níveis baixos de vitamina B12, alterações da função hepática e hepatite, reações cutâneas como eritema e urticária
Muito raros, graves (até 1 em 10 000) Acidose láctica — ver o bloco de emergência no início desta página

Ler esta tabela pela ordem certa ajuda. O que é muito frequente é incómodo e costuma passar; o que é grave é muito raro.

Confundir as duas colunas é o que faz alguém deixar um medicamento eficaz por medo de um evento com frequência de 1 em 10 000.

Metformina e vitamina B12

A descida dos níveis de vitamina B12 no sangue consta do folheto informativo como efeito secundário muito raro, com frequência inferior a 1 em 10 000.

É conhecido no tratamento prolongado. Daí que alguns médicos peçam doseamento de B12 no seguimento.

Não é motivo para suplementar por conta própria. Sintomas como formigueiro nas mãos e nos pés ou cansaço desproporcionado são para descrever na consulta, onde podem ser investigados com análise em vez de suposição.

"A metformina ataca os rins?"

É um receio popular recorrente, e a resposta honesta não é um simples não.

A metformina não danifica rins saudáveis. A relação existe no sentido inverso: uma função renal já reduzida aumenta o risco de acumulação do fármaco e de acidose láctica.

Por isso o folheto informativo prevê vigilância da função renal, pelo menos uma vez por ano, e mais vezes em idosos ou em quem já tem a função renal diminuída.

Em função renal gravemente reduzida, é contraindicada.

Traduzindo para a prática: a análise à creatinina que o médico pede não é rotina burocrática, é o mecanismo de segurança que permite manter o tratamento.

A metformina baixa demasiado o açúcar?

Por si só, não. A metformina não provoca hipoglicemia quando é o único antidiabético em curso.

O risco de hipoglicemia surge quando é combinada com fármacos que a podem causar: insulina, sulfonilureias e meglitinidas. Quem faz uma dessas associações deve conhecer a regra dos 15/15 e ter açúcar de absorção rápida acessível — o protocolo está descrito em valores da glicemia.

Interações: o que dizer ao médico e ao farmacêutico

O folheto informativo assinala vários grupos de medicamentos que exigem atenção quando se toma metformina:

  • diuréticos;
  • anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da COX-2, como ibuprofeno e celecoxib;
  • anti-hipertensores, incluindo inibidores da ECA e antagonistas do recetor da angiotensina II;
  • agonistas beta-2, como salbutamol e terbutalina;
  • corticosteroides;
  • fármacos que alteram a concentração de metformina no sangue, sobretudo com função renal reduzida — verapamilo, rifampicina, cimetidina, dolutegravir, ranolazina, trimetoprim, vandetanib, isavuconazol, crizotinib e olaparib.

Caso à parte: os contrastes iodados usados em exames radiológicos exigem suspensão temporária da metformina.

Vai fazer TAC com contraste ou angiografia? Diga que toma metformina. Muda a preparação do exame.

Genéricos, preço e onde se compra

A metformina existe em Portugal sob várias marcas de genérico.

Duas confirmadas nesta verificação: Generis e toLife, esta última titular do folheto informativo citado nesta página. A lista completa consulta-se no motor de pesquisa do Infarmed.

Preço verificado a 25 de agosto de 2026: Metformina Generis MG 500 mg, embalagem de 60 comprimidos, 2,83 € numa farmácia online portuguesa.

É preço de tabela, sem processamento de comparticipação do SNS. Na farmácia, com receita, o encargo do utente costuma ser menor: o Estado comparticipa os medicamentos sujeitos a receita que estejam abrangidos.

Sobre "onde comprar": em farmácia, com receita médica.

Sites que anunciem metformina sem prescrição não cumprem o enquadramento português deste medicamento. E o que chega por essa via não tem garantia de origem.

Nota para quem chegou por conteúdo brasileiro. Glifage é o nome comercial da metformina no Brasil e não existe com esse nome em Portugal.

A substância é a mesma. Aqui procura-se por metformina mais o nome do laboratório genérico.

Combinações: sitagliptina, vildagliptina, dapagliflozina, empagliflozina

Quando a metformina isolada deixa de chegar, o médico pode associar-lhe outro antidiabético, por vezes num comprimido único de combinação fixa.

As mais procuradas em português são quatro: sitagliptina, vildagliptina, dapagliflozina, empagliflozina.

Duas famílias, e nenhuma delas é a da metformina.

A sitagliptina e a vildagliptina são inibidores da DPP-4. A dapagliflozina, a empagliflozina e a canagliflozina são inibidores do SGLT2. Mecanismos e perfis de efeitos secundários diferentes entre si.

Ponto que importa para a segurança: nenhuma destas duas famílias é o grupo que, associado à metformina, gera risco relevante de hipoglicemia. Esse risco está descrito para insulina, sulfonilureias e meglitinidas.

Porque não publicamos aqui os nomes comerciais das combinações

As combinações fixas de metformina com estas substâncias existem no mercado europeu, e seria fácil listar quatro nomes de caixa.

Não o fazemos por uma razão simples. À data desta verificação não confirmámos no Infomed/Infarmed quais delas estão efetivamente comercializadas em Portugal, e uma lista de marcas erradas ou descontinuadas faz mais mal do que a ausência dela.

Assim que a confirmação estiver feita, os nomes entram aqui com data e fonte. A consulta oficial, entretanto, faz-se no Infarmed ou na farmácia, com a embalagem à frente.

Existe alternativa natural à metformina?

Não existe suplemento alimentar que substitua a metformina.

É a resposta direta a uma pesquisa frequente, e é a honesta. Os suplementos são regulados como alimentos, não como medicamentos: não passam pelo processo de aprovação de um antidiabético e não têm indicação terapêutica para tratar a diabetes.

Isso não significa que a investigação sobre substâncias como a gimnema, a berberina ou o crómio não exista — existe, com resultados de qualidade variável, e vale a pena conhecê-la com números à frente em vez de promessas.

O que nunca deve acontecer é parar ou reduzir um medicamento prescrito por causa de um suplemento. Essa decisão é do médico, com análises na mesa.

O que a metformina não substitui

O próprio folheto informativo declara que a metformina "não pode substituir os benefícios de um modo de vida saudável" e que o doente deve manter alimentação adequada e exercício.

Os números do Diabetes Prevention Program dizem o mesmo por outra via. Em pessoas com pré-diabetes, a intervenção no estilo de vida reduziu o risco de progressão para diabetes em 58%, contra 31% da metformina.

Não são alternativas concorrentes. São camadas que se somam — e a mais barata delas é a que depende do prato e dos pés.

Isto é o folheto explicado, não uma prescrição

O conteúdo do folheto informativo aprovado está reorganizado por perguntas reais: doses, frequência de efeitos secundários, interações, preço de genérico e enquadramento legal em Portugal.

O que fica de fora é a prescrição, a dose para o seu caso e qualquer sugestão de iniciar, alterar ou suspender tratamento. Metformina é medicamento sujeito a receita médica, e a única leitura que conta sobre a sua dose é a de quem o segue.

Quem quiser perceber onde este medicamento se encaixa no resto do tratamento encontra o percurso completo na abertura do site.

Fontes utilizadas


Autor: Redação Açúcar no Sangue · como trabalhamos Publicado: 25 de agosto de 2026 · Última atualização: 25 de agosto de 2026

Nota clínica. Esta página informa sobre um medicamento sujeito a receita médica. Não prescreve, não ajusta doses e não substitui o folheto que vem dentro da embalagem nem a consulta.

Preços. O valor citado foi verificado a 25 de agosto de 2026 numa farmácia online portuguesa e não é tabela oficial do Infarmed — confirme na farmácia.

Independência. Não vendemos medicamentos, não representamos laboratórios e não recebemos pagamento de nenhuma marca de genérico mencionada.

Perguntas frequentes

Para que serve a metformina?

Serve para tratar a diabetes tipo 2, reduzindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a sensibilidade à insulina. É o antidiabético oral de primeira linha e exige receita médica em Portugal.

Qual é a dose máxima de metformina por dia?

3000 mg por dia no adulto, repartidos por três tomas. Nas crianças com 10 anos ou mais e adolescentes, o máximo diário é de 2000 mg, em duas a três tomas.

Metformina toma-se antes ou depois de comer?

Durante ou após a refeição. O folheto informativo indica que assim se atenuam os efeitos gastrointestinais, que são muito frequentes no início do tratamento.

Qual é a diferença entre metformina 500, 850 e 1000 mg?

É a quantidade de cloridrato de metformina por comprimido, equivalente respetivamente a 390, 663 e 780 mg de metformina-base.

A dose e o número de tomas escolhe-os o médico, em função da resposta da glicemia e da tolerância.

Quanto custa a metformina em Portugal?

Uma embalagem de 60 comprimidos de 500 mg de um genérico custava 2,83 € numa farmácia online portuguesa a 25 de agosto de 2026, em preço de tabela sem comparticipação aplicada. Com receita, na farmácia, o valor pago pelo utente costuma ser inferior.

A metformina provoca hipoglicemia?

Isolada, não. O risco de hipoglicemia aparece quando é associada a insulina, sulfonilureias ou meglitinidas.

Posso tomar metformina antes de um exame com contraste?

Os contrastes iodados usados em exames radiológicos exigem suspensão temporária da metformina. Avise sempre o médico e o serviço de imagiologia de que toma este medicamento, antes do exame.

A metformina faz mal aos rins?

Não danifica rins saudáveis. A relação é inversa: uma função renal já reduzida aumenta o risco de acumulação e de acidose láctica, e por isso a função renal é vigiada pelo menos uma vez por ano. Em função renal gravemente reduzida, o medicamento é contraindicado.

Autor: Redação Açúcar no Sangue 25 de agosto de 2026